quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ganhador do Nobel defende a "Memória da Água"

30/06/2010-11h15
Descobridor do HIV defende a polêmica "memória da água"MARCELO LEITE
ENVIADO ESPECIAL A LINDAU

Atualizado às 11h26.

Diz-se em Lindau (sul da Alemanha) que a cidade se torna a mais brilhante do mundo por uma semana, a cada ano, com o Encontro de Prêmios Nobel. Para esta 60ª edição vieram 59 laureados. Um deles, porém, parece disposto a contradizer o ditado.

O francês Luc Montagnier dividiu o prêmio em Medicina ou Fisiologia de 2008 com a ex-colega Françoise Barré-Sinoussi pela descoberta do vírus da Aids. Aos 77 anos, surpreendeu a plateia de 675 jovens pesquisadores com a palestra "O DNA entre a Física e a Biologia".

Poderia ter usado o título "Memória da Água". Durante meia hora, na segunda-feira, discorreu sobre marcas que seriam deixadas pelo DNA de algumas bactérias e alguns vírus no arranjo de moléculas de água, mesmo após sucessivas diluições.

O tema é ultracontroverso. Em 1988, o periódico científico "Nature" veiculou trabalho similar de Jacques Benveniste (morto em 2004). Em seguida, denunciou o trabalho como fraude. A "memória da água", tema caro a homeopatas, virou tabu.

Montagnier não só ressuscitou tese equivalente como deu ainda sua explicação para o fenômeno, que chamou de "ressonância": as modificações de estrutura na água emitiriam sinais eletromagnéticos. Um tubo de ensaio ao lado da água memoriosa "contrairia" a informação.

Num dos dois artigos que publicou sobre o assunto em 2009, cita Benveniste como fonte do aparelho empregado para captar os sinais.

MEMÓRIA APLICADA

Sua ideia agora é usar o suposto fenômeno para diagnóstico. Uma das aplicações com que sonha é encontrar vestígios do vírus HIV ocultos no sangue de pacientes mesmo depois que a carga viral é zerada com drogas.

Barré-Sinoussi falou logo depois de Montagnier. Não disse uma palavra sobre as pesquisas do colaureado.

A sucessão de painéis, na parte da manhã, não admite a realização de perguntas. Já na parte da tarde, os premiados se encontram com grupos menores de pesquisadores, em que jornalistas não podem fazer perguntas.

Montagnier foi procurado por menos de 30 pesquisadores, entre eles alguns que não conseguiram lugar nas sessões paralelas mais concorridas. O geneticista Nelson Fagundes, um dos cinco brasileiros entre os 675, estava lá.

Fagundes conta que Montagnier foi bombardeado com perguntas. O brasileiro perguntou ao colega do lado se era só ele que não estava acreditando. Recebeu resposta negativa.
Os dois trabalhos de Montagnier sobre o assunto saíram num novo periódico científico editado na China, "Interdisciplinary Sciences -- Computational Life Sciences". O primeiro deles foi recebido no dia 3 de janeiro, revisado dia 5 e aceito dia 6. Noutras revistas científicas, isso pode demorar meses.

Já há blogueiros defendendo que ele ganhe o Ig Nobel, prêmio satírico para "pesquisas que não podem e não devem ser reproduzidas".

O repórter especial Marcelo Leite viajou à Alemanha para o 60º Encontro de Prêmios Nobel a convite da Fundação Encontro de Prêmios Nobel de Lindau

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/759531-descobridor-do-hiv-defende-a-polemica-memoria-da-agua.shtml

NOTA: a Glaci trouxe este artigo em seu blog veja
http://glaciblog.blogspot.com/2010/06/descobridor-do-hiv-defende-polemica.html

Acho que nesta fumaça há fogo, mas são possíveis outras explicações para a ação dos remédios homeopáticos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Comentando o Papel do Sono REM: Adaptação

Avaliando os diversos artigos que já li sobre o papel dos sistemas de autorregulação nos seres com auto-organização, além dos mecanismos reguladores baseados em vias de feed-back negativos os mais comuns nos circuitos fisiológicos e bioquímicos, artigos recentes sugerem que os organismos vivos utilizam regulação com o modelo caótico, com atratores, etc. Este tipo de regulação, teoria do caos, fornece exatamente o oposto do que o senso comum leva a imaginar: aumenta a plasticidade, a capacidade adaptativa dos seres vivos frente a desafios de meio-ambiente e do meio-interno(erros de programação genética, e outras falhas estruturais), agregando a possibilidade da consciência do indivíduo dirigir o processo, consciente ou inconsciente. Assim, ser mais saudável é ter mais variabilidade quando necessário, rigidez à adaptação leva a doença em todos os níveis. O trabalho postado na blog longavidacomsaude@blogspot.com sobre as moscas "inteligentes" reforça a hipótese de que os seres vivos utilizam a cognição e a volição(vontade) para exercer escolhas.
O outro aspecto destes mecanismos de autorregulação é que eles ocorrem em diversos sistemas, por exemplo, já li sobre enurese noturna e snc, controle de ritmo cardíaco e emoções, e por aí segue. Também é relevante o funcionamento em redes de múltiplas conexões, com malhas variadas, tipo informação peptídica acoplada com informação elétrica, papel da estrutura molecular na química, dos elétrons, enfim, os seres vivos aumentam a complexidade para aumentar a adaptabilidade e sobrevivência, isto sem abrir mão da direção da consciência.
O assunto requer mais aprofundamentos e estudos, dá muito pano para manga, porém acho que esta é uma hipótese provável, além de fornecer material para muitas reflexões sobre a vida.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Papel Adaptativo do Sono REM-Ansiedade e Medo

Os autores avaliam a proposta Crick Mitchison de que o sono REM é um processo auto-organizado de "desaprendizagem" das redes neurais, que ocorreria por intensa ativação do complexo amígdala nesta fase do sono mediada por endocanabinóides. Sugerem uma função evolutiva-comportamental e outra neurológica, nesta aumentaria a plasticidade cerebral e enfraqueceria padrões rígidos de funcionamento,especialmente na amígdala, hipocampo e sistema motor. A função comportamental da narrativa onírica evoluiu no sentido de exploração em ambiente virtual para favorecer o aprendizado/desaprendizado emocional e a adaptação a situações de medo e ansiedade.
Um belo trabalho do pesquisador brasileiro Osame Kinouchi.
ver original em
http://arxiv.org/PS_cache/cond-mat/pdf/0208/0208590v2.pdf

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Gripe A: Guia da Prevenção

Prevenção da Gripe. Por quê é Isopatia? E Homeopatia?
Isopatia é um termo citado no Organon, livro central da Teoria de Hahnemann, o sistematizador da Homeopatia. Livro escrito em parágrafos, o 56 diz ser a Isopatia um métodos de tratamento, em que se pretende curar uma doença determinada com o mesmo agente infeccioso que a provocou. Neste caso é bem diferente da Homeopatia, em que se usa para escolher o remédio os sintomas do paciente e sua forma peculiar de reagir. No entanto a isopatia utiliza também remédios diluídos e dinamizados(sucussionados), como sua parente próxima a Homeopatia.
No caso da Gripe, e mesmo na Gripe A, preferimos dois remédios Isopáticos, o Influenzinum e Oscilococcinum por suas propriedades de estimularem as defesas contra o vírus Influenza. Como são administrados por via oral, uma via natural de intercâmbio entre o organismo e o meio ambiente(a outra é a via inalatória) os efeitos adversos são praticamente nulos, e suponho que estimulem o sistema de defesa de mucosa(oral-digestivo e óculo-nasal-respiratório)provavelmente mediado pelas IgA's presentes nestes dois sistemas de interface.
Baseamo-nos também no método homeopático proposto por Hahnemann frente às epidemias de doenças agudas coletivas, o método do gênio epidêmico, muito bem estudado no trabalho de Barollo e Miura, em que selecionamos as reações mais frequentes, e mesmo as menos comuns que apresentam os pacientes afetados pela epidemia para selecionar o remédio ou remédios mais apropriados, neste caso trata-se de Homeopatia propriamente dita. Ressalto que trata-se de estratégia preventiva diante de epidemia de doença aguda coletiva, pois frente a um caso individual o médico homeopata sempre deve individualizar o tratamento.
No caso da epidemia da Gripe pode ser usado:
INFLUENZINUM 200C X
OSCILOCOCCINUM 200C X
BRYONIA ALBA 30C X
SHA 20% qsp 20ml
Gotas tomar 2 gotas vo 1x/semana enquanto durar a epidemia.
Crianças menores de 10 anos, tomar 1 gota diluída em colher de sobremesa com água.
Tivemos grande sucesso na epidemia passada, esperamos que o mesmo se repita.
A propósito, a Homeopatia não contraindica a Imunização recomendada pelo Ministério da Saúde, ressalvado o que todos sabemos, que a via intramuscular e intradérmica, como todas as vias não-naturais, que não utilizadas rotineiramente pela espécie aumentam o risco de efeitos adversos, digo isto genericamente e não neste caso em particular. Os riscos da vacinação devem ser acompanhados nos relatórios epidemiológicos isentos a posteriori. O uso do método Isopático e Homeopático aqui mostrado não anula os efeitos da Imunização convencional, nem o contrário.
O método Isopático e Homeopático não pretende desenvolver imunidade permanente, visto que esta só é possível com a própria doença. A imunidade Isopática e Homeopática é extremamente transitória por isto recomendamos o uso semanal. A Imunização convencional trabalha com um horizonte de imunidade mais longo, mas também transitório(anos).
A segurança demonstrada pelo quase nulo risco de efeitos adversos e os bons resultados demonstrados em que a pratica sugerem que se use o Método Isopático e Homeopático coletivamente, e se possível, em estudos futuros controlados(pesquisas prospectivas).
Saúde para todos!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Alzheimer: Confundindo Causa e Consequência

Pesquisadores de Harvard sugerem que a proteína possui uma função real e inesperada

Durante anos, uma teoria bastante popular dizia que um dos principais vilões no mal de Alzheimer não passava de um produto inútil, de que o cérebro nunca se livrou adequadamente.

O material, uma proteína chamada amiloide beta, ou A-beta, se acumula em duras placas que destroem sinais entre nervos. Quando isso acontece, as pessoas perdem a memória, sua personalidade se altera, e elas deixam de reconhecer amigos e familiares.

Porém, agora pesquisadores de Harvard sugerem que a proteína possui uma função real e inesperada – ela pode ser parte das defesas comuns do cérebro contra bactérias e micróbios invasores.

A nova hipótese foi iniciada tardiamente, numa noite de sexta-feira no verão de 2007, num laboratório da Faculdade de Medicina de Harvard. O principal pesquisador, Rudolph E. Tanzi, professor de neurologia que também dirige a unidade de genética e envelhecimento no Hospital Geral de Massachusetts, disse estar examinando uma lista de genes que pareciam ser associados ao mal de Alzheimer.

Para sua surpresa, muitos se pareciam com genes associados ao chamado sistema imunológico inato, um grupo de proteínas que o corpo utiliza para combater infecções. O sistema é particularmente importante no cérebro, pois anticorpos não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica, a membrana que protege o cérebro. Quando o cérebro é infectado, ele depende do sistema imunológico inato para protegê-lo.

Naquela noite, após a usual hora da cerveja do fim da semana, Tanzi entrou na sala de um membro acadêmico mais novo, Robert D. Moir, e mencionou o que havia visto. Como Tanzi se lembra, Moir virou-se para ele e disse: “Certo, bem, veja isto”.

Ele entregou uma planilha a Tanzi. Era uma comparação entre a A-beta e uma proteína bastante conhecida do sistema imunológico inato, a LL-37. As semelhanças eram excepcionais.

Entre outras coisas, as duas proteínas possuiam estruturas similares. Assim como a A-beta, a LL-37 tende a se agrupar em pequenas bolas duras.

Em roedores, a proteína que corresponde à LL-37 protege contra infecções no cérebro. Pessoas que produzem níveis baixos de LL-37 sofrem maiores riscos de infecções graves, e possuem níveis mais altos de placas ateroscleróticas, crescimentos arteriais que impedem o fluxo sanguíneo.

Os cientistas mal podiam esperar para ver se a A-beta, como a LL-37, matava micróbios. Eles misturaram A-beta com micróbios que a LL-37 mata – listeria, estafilococos, pseudomonas. Ela matou 8 de 12.

“Fizemos os experimentos exatamente como eles foram feitos durante anos”, disse Tanzi. “E a A-beta foi tão potente ou, em alguns casos, mais potente que a LL-37”.

Em seguida, os pesquisadores expuseram o fungo Candida albicans, uma das principais causas da meningite, a tecidos das regiões cerebrais do hipocampo de pessoas que haviam morrido de Alzheimer, e de pessoas da mesma idade que não possuiam demência ao morrer.

Amostras do cérebro de pacientes com Alzheimer eram 24% mais ativas em matar as bactérias. Mas, se as amostras fossem previamente tratadas com um anticorpo que bloqueava a A-beta, elas não matavam o fungo com mais eficácia que o tecido cerebral de pessoas sem demência.

O sistema imunológico inato também é colocado em ação por danos cerebrais traumáticos e derrames, além da aterosclerose – que leva a uma redução no fluxo de sangue para o cérebro, apontou Tanzi. E o sistema é estimulado por inflamações. Sabe-se que pacientes com Alzheimer têm cérebros inflamados, mas não estava claro se o acúmulo de A-beta era causa ou efeito da inflamação. Talvez, explica Tanzi, os níveis de A-beta subam como resultado da reação do sistema imunológico inato à inflamação; pode ser uma forma de o cérebro reagir a uma infecção percebida.

Se Tanzi estiver certo sobre a A-beta fazer parte do sistema imunológico inato, isso levantaria questões sobre a busca por tratamentos para eliminar a proteína do cérebro.

“Isso significa que você vai querer acertar a A-beta com um martelo”, disse Tanzi. “Isso nos diz que precisamos do equivalente a uma estatina para o cérebro, de forma a reduzir seu funcionamento sem desligá-la” (Tanzi é cofundador de duas empresas, Prana Biotechnology e Neurogenetic Pharmaceutical, que estão tentando enfraquecer a A-beta).

Relkin disse que, mesmo se a A-beta não fizesse parte do sistema imunológico inato, não seria uma boa ideia removê-la completamente, junto às bolas duras de placas que ela forma no cérebro.

No passado, segundo Relkin, cientistas supuseram “que a patologia era a placa”. Hoje, ele compara a remoção das placas a desenterrar balas no campo da Batalha de Gettysburg.

Quanto mais balas numa região, mais intensa era a batalha. Mas “desenterrar balas não vai alterar o resultado da batalha”, explicou ele. “A maioria de nós não acredita que remover placas do cérebro seja a solução final”.
Porém, outros cientistas não ligados à descoberta disseram estar impressionados com as novas informações.

“Isso muda nossa maneira de pensar sobre o mal de Alzheimer”, afirmou o Dr. Eliezer Masliah, que chefia o laboratório de neuropatologia experimental da Universidade da Califórnia, em San Diego. “Não creio que jamais tenhamos pensado nessa possibilidade para a A-beta”.

Masliah está intrigado com a ideia de que conglomerados de A-beta possam matar bactérias e neurônios pelo mesmo mecanismo. Ele apontou que Tanzi possui um histórico de surgir com ideias incomuns sobre o mal de Alzheimer que acabam se mostrando corretas. “Creio que ele esteja perto de algo importante”, concluiu Masliah

Fonte: The New York Times